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Curiosidade



ROMEU E JULIETA – A HISTÓRIA DO MANUSCRITO





“A Mais Excelente e Lamentável Tragédia de Romeu e Julieta” (The Most Excellent and Lamentable Tragedy of Romeo and Juliet) é uma tragédia composta por William Shakespeare entre 1594 e 1596, entre as mais famosas e representadas, bem como uma das histórias de amor mais populares.


Deve dizer-se, no entanto, que, a partir das descobertas feitas por vários estudiosos da literatura medieval inglesa e italiana, parece que o dramaturgo inglês não escreveu o texto desta obra apenas com base na sua inspiração, porque outros manuscritos foram encontrados cujos conteúdos são os mesmos de Shakespeare, mas foram escritos anteriormente.


Em particular, há o de Luigi da Porto (Vicenza, 1485 – Vicenza, 10 de maio de 1529) um escritor e historiografista de Vicenza.

Luigi da Porto na sua "Historia Novellamente ritrovata di due nobili amanti", publicados por volta de 1530, deu à história grande parte da sua forma moderna, rebatizando o jovem Romeus e Giulietta e transportando a ação de Siena para Verona (uma cidade que na época do Da Porto era estrategicamente importante para Veneza), na época de Bartolomeo della Scala, em 1301-1304. Do Porto apresenta a sua história como historicamente verdadeira e no enredo já existem elementos-chave: personagens correspondentes às de Shakespeare (Mercutio, Teobaldo e Paris), a rixa, a morte de um primo do amado romeu, o banimento da cidade deste último e o fim trágico de ambos em que Romeu toma um veneno e Julieta fura com um punhal. Da Porto encontrou talvez inspiração na visão das duas fortalezas Scaliger presentes em Montecchio Maggiore (na província de Vicenza), que aparecem em contraste entre si. Além disso, a sua história parece refletir acontecimentos autobiográficos, nomeadamente o seu amor com Lucina Savorgnan, no contexto de disputas entre famílias nobres em Friuli.


Quanto aos nomes das duas famílias envolvidas nesta obra, já eram conhecidos no século XIV, inseridos por Dante na sua Comédia (precisamente na canção VI do purgatório, linhas 105-106-107):


“Vieni a veder Montecchi e Cappelletti,

Monaldi e Filippeschi, uom sanza cura:

color già tristi, e questi con sospetti!”


"Venha ver Montecchi e Cappelletti,

Monaldi e Filippeschi, uom sanza cura:

já cores tristes, e estes com suspeitas!"


Apenas os Montecchi são originários de Verona, enquanto os Capulets (que na verdade eram chamados cappelletti) vêm de Brescia, embora também estejam em Verona até aos anos da estadia de Dante, na casa de Julieta de hoje, onde a sua presença também é testemunhada pelo brasão de armas do chapéu na pedra angular da entrada do arco do edifício do século XIX. Não há relatos de lutas entre Cappelletti e Montecchi, enquanto este último tem levado por muito tempo uma luta sangrenta contra os Guelphs (especialmente com a família Guelph Sambonifacio). A notícia do Montecchi surge depois de terem sido banidos da cidade por Cangrande della Scala, depois de tentarem uma conspiração contra ele. O contexto histórico em Dante não se refere aos acontecimentos do amor contrariado entre os amantes destas famílias, que não aparecem lá, mas fala das duas famílias, lamentando-as, uma vez que eram famílias "já tristes".


De qualquer forma, em Verona todos agradecem a Shakespeare, pelo turismo que a história e o mito de Romeu e Julieta trazem à cidade.


Bibliografia:

• Dante Alighieri. Divina Commedia, Purgatorio, Canto VI, vv. 105-106-107.

• Giovanni Arnaldi, Montecchi, in Enciclopedia Dantesca, Roma, Treccani, 1970.

• Mario Carrara, Gli Scaligeri, Milano, Dall’Oglio, 1966.

• Giovanni Solinas, Storia di Verona, Verona, Centro Rinascita, 1981

• Luigi Da Porto, La Giulietta, Giunti Editore, ISBN 88-09-20456-5.

• Cino Chiarini, Romeo e Giulietta. La storia degli amanti veronesi nelle novelle italiane e nella tragedia di Shakespeare, Firenze, Sansoni, 1906.

• A. Serpieri e AA. VV., Nel laboratorio di Shakespeare. Dalle fonti ai drammi, Parma, 1988.

• Maria Cristina Zaniboni, Un’antica passione. Romeo e Giulietta dalle fonti a Shakespeare, Imola Grafiche Galeate, 1988.

• La Giulietta nelle due edizioni cinquecentesche, a cura di Cesare De Marchi, Firenze, Giunti, 1994.

• Le storie di Giulietta e Romeo, a cura di Angelo Romano, Roma, Salerno, 1993.

• Albino Comelli e Francesca Tesei, Giulietta e Romeo: l’origine friulana del mito, L’Autore Libri, Firenze, 2006.